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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Cuide do seu coração

Há 10 anos atrás tive um infarto agudo do miocárdio. Na época, eu tinha uma vida desregrada, aliada ao sedentarismo, má alimentação, maus hábitos e, ainda por cima, sem vigiar os pensamentos e os sentimentos. Esses eram fatores que eu podia controlar, mas fui negligente. Para piorar a situação, no trabalho, tinha um chefe tóxico que fazia assédio moral. Por mais que eu me esforçasse para entregar um bom trabalho, ele sempre me criticava de uma maneira dura e cruel, me rebaixando como profissional e, por tabela, como pessoa. Esse foi um fator externo, que adicionou um tremendo stress à minha vida.  

Então, um dia, depois de uma corrida no parque, voltei para casa tomei banho, jantei e sentei no sofá para ver TV. Mas senti uma dor no peito, logo abaixo do pescoço e que se irradiava para os antebraços, uma coisa esquisita. Na ocasião, fui para a cama, deitei e fiquei quietinho por uns 30 minutos. A dor passou. Mas fiquei preocupado. Nunca tinha sentido aquilo antes, e eu tinha apenas 44 anos. Fiquei com aquilo na cabeça e pensei algo como: "- Puxa vida! Já tenho mais de 40 anos e nunca fui a um cardiologista". Então marquei consulta e fui. Depois de vários exames, voltei no consultório e a médica cardiologista viu os exames. Achou tudo ok e estava quase me entregando de volta os exames e me despachando quando, subitamente, parou e disse: "Pera aí. Tem alguma coisa aqui". Ela vira um risquinho fora do padrão. Ela examinou, examinou... e depois disse: "Quero que você faça um Cintilografia do miocárdio com MIBI com esforço, e com contraste. Também quero que você faça o exame no HCor".   

Marquei o exame e fui. A Cintilografia do miocárdio é um exame chato e demorado. Você faz umas caminhadas no laboratório e depois te examinam. Em seguida, te dão alguma coisa para comer e te examinam de novo. No final, tem o famoso teste da esteira ergométrica, em que você tem que correr, se esforçando bastante, enquanto os profissionais de saúde examinam seus batimentos cardíacos e sua situação no geral. Esse exame pode ser com contraste ou sem contraste. Com contraste é pior porque você sente uma substância estranha entrando no seu corpo.

Bom... aí, o técnico disse que gostaria de ver a capacidade máxima do meu coração, que era para eu me esforçar bastante. Aí eu pensei: "Bom... já que estou fazendo esse exame dentro de um hospital, vou dar todo o gás que eu tenho". E assim fiz. Comecei devagar, mas depois fui aumentando o ritmo e dei tudo de mim. Corri pra valer. Tanto que, depois de 10 minutos, já estava completamente exausto. E o técnico tinha dito que, quando o fôlego tivesse acabando e faltasse 1 minuto para eu terminar a corrida na esteira, eu tinha que avisá-lo. Assim fiz. Mas foi o minuto mais longo da minha vida.

Quando acabou o teste ergométrico eu suava em bicas, e suava frio. Tive sudorese e dores no peito, mas naquela hora, eu não sabia nomear o que eu tinha. Eu disse para o técnico que estava ali: "-Dr. Eu não estou legal". Ele disse para eu ficar parado. Mas a sensação era terrível e eu disse: "Dr. Não estou nada bem". Aí ele disse para eu deitar em uma maca. Parece que foi pior. A sudorese não parava e a dor no peito agora se irradiava para os braços, principalmente para o braço esquerdo. Chamaram socorro. Os enfermeiros não sabiam o que fazer. Mas o médico logo percebeu o que estava acontecendo. Fui levado para um procedimento. Fiz um cateterismo e descobriram uma artéria entupida. Aí tive que fazer uma angioplastia, que é um procedimento para desentupir a artéria, colocando-se stents para deixar a artéria aberta e não entupir mais. 

Foi um susto. Fiquei internado no Hospital por 7 dias. Nesse período, descobri que quem cuida mesmo dos pacientes são os enfermeiros e as enfermeiras, pois os médicos só aparecem uma vez por dia. Sou muito grato a todos eles! Mas os médicos têm um papel fundamental também, pois são eles que leem e interpretam os exames e o estado geral do paciente, dando orientações. Quando recebi alta, veio um médico falar comigo. Ele disse que eu tive muita sorte por ter tido o infarto dentro do Hospital, pois se eu estivesse correndo no parque, provavelmente não teria dado tempo de chegar o socorro.  

Nas semanas e meses que se seguiram, senti como se Deus tivesse me dado uma segunda chance. Fiz um inventário de toda a minha vida, dos sucessos e dos tropeços. Mas o mais importante: me espiritualizei. Fiquei mais agradecido. Acordava todas as manhãs, olhava para o céu e dizia: "- Obrigado, Senhor! Por mais um dia!". Fiquei me sentindo devedor e procurei, daí em diante, ser uma pessoa melhor. E, depois, disso, tive tantas coisas boas na minha vida. Viajei para lugares novos, fiz trabalho voluntário, aprendi a cozinhar e casei com uma mulher maravilhosa. O infarto funcionou como um chacoalhão, um despertar da consciência de que a vida é algo precioso, que deve ser cuidada. Aprendi algo que muitos homens negligenciam: aprendi a cuidar de mim mesmo. 

Portanto eu digo, a vida é um presente de Deus! A vida é preciosa! Não podemos desperdiçá-la. Cuide da sua saúde. Cuide de você. Faça esporte. Faça os exames periódicos. Controle o stress. Cuide de suas emoções. Cuide do seu coração.