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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

O maior vendedor do mundo

"Saudarei esse dia com amor no coração. Pois este é o maior segredo do êxito em todas as aventuras. Os músculos podem partir um escudo e até destruir a vida, mas apenas os poderes invisíveis do amor podem abrir os corações dos homens, e até dominar esta arte não serei mais que um mascate na feira. Farei do amor minha maior arma e ninguém que a enfrente poderá defender-se de sua força". É assim que começa o Pergaminho nº 2. Todas as gerações que leram o livro com o coração o trazem de cor. O autor estava profundamente inspirado quando o escreveu. Desde que li, virei fã de Og Mandino. Mas é bom avisar aos navegantes: trata-se de uma obra de autoajuda. E das melhores!

Og Mandino (1923-1996) foi um escritor estadunidense, que escreveu 17 livros. Presidiu a revista Success Unlimited até 1976, quando, aos 52 anos, chocou o setor ao renunciar à presidência para dedicar-se em tempo integral a escrever e dar palestras. Na época, não era comum fazer isso. Antes de chegar lá, porém, passou por maus bocados. Alcoólatra que quase chegou ao suicídio, conseguiu ficar sóbrio para se dedicar à escrever, tornando-se milionário ao publicar O maior vendedor do mundo. Tornou-se um dos autores mais inspiradores e bem sucedidos no segmento denominado auto-ajuda, principalmente com livros voltados para vendas. Ele era fã de Norman Vincent Peale, autor do livro O poder do pensamento positivo. Seus livros venderam milhões de cópias e foram traduzidos em diversos idiomas. Segundo a orelha do livro, Og Mandino integra o Hall da Fama do "National Speakers Association", nos Estados Unidos. 

O miolo do livro são 10 pergaminhos com instruções de como encarar a vida com amor, coragem e fé e ter uma postura mais positiva na sua vocação e no seu trabalho, sejam quais eles forem. O mérito do autor, além das mensagens de fé, esperança, com estímulos ao trabalho árduo e ao agradecimento, está em emoldurar esses 10 pergaminhos em uma história cristã muito tocante, envolvendo um rico mercador, que é o maior vendedor do mundo, um guardador de camelos, que quer subir na vida para ganhar o coração de sua amada e, por fim, a sagrada família no nascimento de Jesus em uma humilde estrebaria em Belém. É uma história que emociona. 

No primeiro pergaminho ele instrui cuidadosamente o leitor a ler os 9 seguintes da seguinte maneira: 1) ler cada pergaminho por 30 dias antes de passar para o seguinte; 2) ler o pergaminho 3 vezes ao dia, uma vez ao acordar, outra depois do almoço e a terceira antes de dormir. Algumas passagens são marcantes, de uma beleza incomum. Depois de 30 dias lendo o mesmo pergaminho, o leitor incorpora aquelas mensagens. Esse é o truque do livro. É que, segundo o autor, somos escravos dos nossos hábitos. E para se tornar uma pessoa melhor, é necessário trocar maus hábitos por bons hábitos. Daí essa repetição e esse ritual. 

É um livro que ajuda mais quem tem um propósito claro ou uma meta à sua frente, como arrumar emprego, passar em provas ou concursos, realizar um sonho etc. Me ajudou a passar no vestibular. Li pela primeira vez em 1989, quando eu estava estudando para passar no vestibular. Foi um livro que me cativou imensamente. Bebi de suas palavras como se fossem sagradas. Li os pergaminhos religiosamente, da forma como foi orientada, três vezes ao dia, por 30 dias cada pergaminho. Foi assim que eu comecei a saudar cada dia com amor no coração, a persistir até alcançar êxito e a aplicar outras lições ensinadas no livro.  

Mais de 30 anos depois, reli o livro e me emocionei novamente. É tocante. Vale a pena! Só que dessa segunda vez li o mesmo livro com olhos mais críticos. Apesar de já não me impressionar tanto e não concordar com 100% do conteúdo do livro, fiquei espantado com a beleza das frases e do conteúdo e concordei com uns 70% dos seus ensinamentos, que espremidos, resultam em uma vitamina que pode ser tomada todos os dias, com afirmações positivas para o indivíduo. 

Há nobres verdades, mas também há meias verdades. Por exemplo, no pergaminho que emula o leitor com a frase "Hoje serei senhor de minhas emoções", é bom que se diga que ninguém é dono das suas emoções. Todo mundo sente raiva, mas não são todos que saem esmurrando ou xingando os outros. Tem gente que sente a raiva, respira, conta até 10 ou até 100, e não reage imediatamente. Apenas vai embora e abandona aquele ambiente tóxico. É uma atitude mais saudável. Mas todos nós estamos sujeitos às emoções, que passam pelo nosso ser. Todo mundo sente alegria, tristeza, raiva, medo, gratidão, mágoa, etc. O que você faz com esses sentimentos é outra coisa. Eu diria que não controlamos as emoções, mas podemos controlar nosso comportamento. 

Consta da contracapa que esse livro "foi adquirido por companhias importantes como a Coca-Cola e a Volkswagen" para ser distribuído aos seus funcionários. Por esse prisma, algum sociólogo poderia dizer que se trata de doutrinação para aumentar a produtividade das empresas e gerar mais lucro. Pode até ser. Mas, inegavelmente, o livro pode ser visto como uma oportunidade de crescimento pessoal. Ou, simplesmente, para se tornar uma pessoa melhor. A receita é boa: aumentar a capacidade de amar a Deus e ao próximo, trabalhar com afinco, pensar positivo, não deixar a tristeza e o desânimo entrarem por muito tempo, não viver no passado nem no futuro, dando valor ao dia de hoje! E sentir gratidão por cada nascer do sol, por uma nova oportunidade de mostrarmos o nosso valor!

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