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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

É preciso vigiar sobre nosso coração

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: "Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: 'Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda'. O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: 'Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!' Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado". 

                                                                                                (Lc 18, 9-14)

Sobre essa passagem, o Bispo Auxiliar de São Paulo, Dom Edilson de Souza Silva, a propósito do Evangelho de domingo, escreveu um belo comentário, que pedimos licença para transcrever: 

"Dois homens sobem ao Templo para rezar: um cobrador de impostos, que descendo ao profundo de si mesmo, com humildade e sem ostentar qualquer tipo de máscara diante de Deus, implora por misericórdia pelos seus pecados, e um fariseu, que sobe ao alto do seu ego inflado e, numa suposta ação graças a Deus, enaltece a si mesmo e suas pretensas virtudes, desprezando os demais. 

Mas, pode algo ficar oculto aos olhos de Deus? Obviamente que não, pois Ele conhece os corações e é justo no julgar. Ele acolhe a prece do cobrador de impostos, uma vez que "a prece do humilde atravessa as nuvens" (Eclo 35,21), ao passo que o fariseu não é justificado, porque "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes" (1Pd 5,5). 

Jesus afirma que "quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado" (Lc 18,14) e, à luz desta palavra, precisamos examinar nosso coração, pois, disse o Papa Francisco, que "para além das muitas tentativas de mostrar ou exprimir o que não somos, é no coração que se decide tudo: ali não conta o que mostramos exteriormente ou o que ocultamos, ali conta o que somos. E esta é a base de qualquer projeto sólido para a nossa vida, porque nada que valha a pena pode ser construído sem o coração. As aparências e as mentiras só trazem vazio (Encíclica Dilexit nos, cap. I, n.6). Daí ser importante cultivar um coração puro, manso e humilde à semelhança do Coração de Jesus. 

Tanto o publicano quanto o fariseu vão ao Templo para rezar, mas os corações deles vão em direções diferentes: um reconhece a necessidade da graça e o outro se gaba de seus méritos, desprezando os que ele julga inferiores a si. Nós também corremos o perigo de cair na tentação do fariseu e desembocar no que o Papa Francisco chamou de "mundanismo espiritual", no qual se busca a glória humana e o próprio bem-estar no lugar da glória de Deus, "uma maneira sutil de procurar os próprios interesses, não os interesses de Jesus Cristo (Fl 2,21)".  

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